Amor de outono

Por Alex Maktub 21/04/2021 - 09:35 hs

Outono: o aconchego das palavras. E já sentindo o vento frio intercalado com os fracos raios solares que anunciavam o anoitecer, ele sabia que na emoção por avistá-la bela e exuberante, seu coração saltitante não seria o mesmo. Seu caminhar poético se dava por aquele trajeto coroado por folhas secas, que alaranjavam a paisagem. Estivera ansioso para que o frio rigoroso por fim chegasse, mas era cedo demais, por isso, até sentia as gotículas de suor molhar seu moletom branco. Não se importara. Apesar do incômodo que o fone de ouvido lhe causara, o propósito fora diariamente caminhar para encontrá-la. Na verdade, ela não sabia das intenções diárias que ele tinha. Tornara-se dono daquele caminho e reparara que todos os dias, ela ali estava.

De vez em quando, leio mensagens sobre tais amores esquisitos. Talvez amores platônicos modernos. Anteriormente, idealizava-se o ser amado, eternizando-o através de alguma produção escrita e artística. Atualmente, essa idealização pode virar algo possessivo e até causar prejuízos. No causo acima o final foi feliz. Me contaram que de tanto o menino passar “despretensiosamente” pelo local que a menina percorrera, deu liga. E como se tudo fosse a mais perfeita semelhança, aconteceu.

Outra história “por mera causalidade” aconteceu num supermercado. A mocinha se irritava com a mãe toda vez que ela pedia para filha ir ao mercado. Se o pedido fosse aos domingos, pela manhã, o mundo parecia acabar. Mas inexplicavelmente, a menina passou a não reclamar mais. “De uma hora para outra” se arrumava exageradamente, prendia o cabelo, e depois... Foi descoberto o real motivo. O repositor do corredor da perfumaria. Tais amores tão efêmeros, instantâneos como folhas secas pisadas pelo chão, ocorrem diariamente por aí. E tão mágicos como o clima outonal, vamos descobrindo que algumas situações não são tão ilógicas assim.