A falsa aplicação da vacina

Por Heloísa Dorico 26/04/2021 - 15:55 hs

A falsa aplicação da vacina


Por: Heloísa Dorico 

“Juro: Dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana (...) manter elevados os ideais de minha profissão, obedecendo os preceitos da ética, da legalidade e da moral, honrando seu prestígio e suas tradições”. O trecho acima representa uma parte do juramento realizado por profissionais da saúde ao receber o título da profissão. No entanto, desde o início da vacinação contra a Covid-19, inúmeros vídeos são compartilhados na internet denunciando a má conduta profissional- tendo como exemplo inclusa a falsa aplicação do imunizante, em maioria, nos idosos.

É claro que precisamos levar em conta o esgotamento desses profissionais. Há mais de um ano a pandemia iniciava, sem previsão de fim- e desde então, não houve folga. Os atendimentos se multiplicavam a cada dia, e com a chegada da vacina, a aplicação do imunizante se torna algo corriqueiro. Há quem diga que a má conduta seja mera distração, causada pelo cansaço. E há quem diga que é má fé. Independente do motivo, as consequências do ato são sérias. Ocasionar a falsa impressão de ter imunizado o próximo com certeza não faz jus ao juramento.

Em março, um caso aconteceu em Jaú. Em poucos minutos o vídeo publicado na internet já havia alcançado centenas de pessoas. Não é de se estranhar que haja indignação acerca do assunto: como confiar se realmente houve a ministração da vacina? E essas desconfianças representam mais um perigo: prato cheio aos negacionistas.

O movimento anti-vacina vem crescendo nos últimos anos, o que representa uma grande ignorância por parte da população. Há muito tempo inúmeros imunizantes vem sendo aplicados em escala mundial, e jamais houve indagações sobre o país em que a mesma foi produzida, ou o instituto responsável pela fabricação- atualmente o cenário não é mais o mesmo. É claro que essa movimentação também é influenciada por líderes que não acreditam na ciência, como é o caso do Brasil. Essa questão somada às más condutas profissionais apenas ameaçam o futuro do próprio brasileiro já que os impactos da pandemia afetam âmbitos sociais, econômicos e da própria saúde.

Ser profissional da saúde é, sem dúvidas, um desafio. Ter a consciência de que uma vida está sob suas mãos, e que aquela pessoa tem amigos, família, uma história. Tudo isso é imprescindível, mas é preciso ter amor ao que se faz. E isso vale para qualquer cargo assumido. Já dizia o filósofo Carl Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana”. Apenas falta humanidade àqueles que agem com má fé.