Vacinação

Por Alex Maktub 31/05/2021 - 11:03 hs


Sob os olhares do mundo caminhara. O trajeto sentimental da orla numa avenida onde a história fora escrita em linhas condensadas, parecia não intimidar o que se seguira. Não que tivesse medo de ser encarado, mas o pré-julgamento dos que não entendiam o que viria, parecera ser motivo de guerra. O respirar esverdeado tentara minimizar o cheiro de mofo humano. Era apenas uma amostra grátis do que o teor da situação proporcionara.

O mundo se despedaçara. Vestígios de vontade eram recolhidos. Eram dezenas de pessoas para centenas de seres suplicantes da esperança. Óleo e água na tentativa da cura. Uma mistura impossível que seguia à rota. Meu olhar panorâmico sabia identificar a gravidade da situação. Mas às vezes, embora impossível, a esperança sobressaía. O monumento histórico se alegrava ao presenciar tal feito. Objetos históricos contemplavam o momento único.

O tesouro embora valioso estivera exposto. Filas e mais filas formadas na tentativa de minimizar os impactos pandêmicos. Até que a própria sorte fora lançada ao vento. Parecia não acreditar no que de repente se tornara real. Pior do que saber o porquê lá eu estivera fora não compreender o motivo. Com o tato sensível, expirava. Uma pomba pousara no chão.

Em contrapartida, questionava o verdadeiro teor de paz que ela propiciava. Não fora uma pomba branca, mas seu intuito era conformizar os ânimos aflorados. A gritaria não a intimidara. Como ser que entendera tudo, a pomba andava e circulava por entre as pessoas ocupadas e aflitas. Qual sua verdadeira razão em promover a paz? Havia olhares de repúdio, pois o nojo decorrente da matéria apodrecida deixada por sua marca, era também levada em conta. Atendendo ao chamado, com um olhar na seringa e outro na pomba, lembrei-me da matéria líquida que entrara em mim, ao receber o fluido, recebera talvez uma condensação entre vida e morte que trabalharia a partir de então.