O Presente é o Embrulho?

Por Alex Maktub 24/07/2021 - 08:13 hs


Numa dessas confraternizações de final de semestre, precisei comprar uma caneca. Pelo que fora explicado, deveríamos colocar dentro do objeto, o que quiséssemos, mas, com o propósito de entregar a outrem aquilo que desejássemos para nós mesmos. Leitor assíduo que sou, logo imaginei como seria interessante, colocar canetas marca texto e canetas de ponta fina, tendência atualmente, para que outra pessoa pudesse aproveitá-las.

 

Na hora de embrulhar, a vendedora com a perspicácia aguçada, logo pelo balcão espalhou os mais bonitos, lustrosos e brilhantes embrulhos. Para completar, laços avantajados, fitas de cetim com delicados fios de ouro, e até pedras simuladoras de brilhante, tudo para transformar a caneca e seu conteúdo, numa obra de arte a ser cobiçada pelo mundo todo.

 

E realmente, ficou um luxo! Digna de ser alvo de releituras, memes e tudo o que a internet é capaz de produzir, fora um embrulho capaz de substituir a taça da copa do mundo, ser trocado pelo troféu da Euro ou ainda, ser entregue como premiação olímpica. Exagero a parte, a nota fiscal da compra me surpreendeu, mais ainda os valores cobrados. Até a sombra dos referidos objetos foram passados no “leitor de cobrança do caixa”.

 

Inconformado, comecei a pensar no que realmente fora o presente. O embrulho ou seu conteúdo. Em rápida conversa, dialoguei com a vendedora como as pessoas se preocupam com a embalagem, e como isso nos escapula. Realmente, o embrulho chama muito a atenção. Alguns de maneira tão avassaladora que faz o presenteado rasgá-lo, sem se importar com o trabalho que deu para deixá-lo vistoso, apresentável, irresistível.

 

E a vendedora concordou. Reparou que é exatamente isso que acontece. Após a pequena reflexão, pedi gentilmente para desembrulhar tudo, e colocar uma embalagem transparente, com um laço mais simples. Entregaria a caneca cheia de canetas, numa embalagem que mostrasse completamente seu interior. Talvez numa tentativa vã de fazer refletir sobre a importância de sermos transparentes, tal como o plástico que carregara em mãos.