A conta chega

Por Heloísa Dorico 04/08/2021 - 14:35 hs

O descaso com as margens do Rio Tietê não é novidade. Em São Paulo, a primeira “paisagem” que nos afronta é a Marginal Tietê: sofás, sacolas de lixo, carrinhos de bebê e os mais variados tipos de poluição simplesmente despejados na água. Outra coisa que também não é novidade e sempre vira notícia são as enchentes ocasionadas pelo mesmo rio, ou lixos que são arrastados pelas cheias. Em meses chuvosos, a problemática assusta o Brasil.

O próprio Governo de São Paulo, em 2020, já alegou que Tietê e Pinheiros não suportam o volume de água. Mas será que questões como essa abrangem somente a capital? Certamente não. Barra Bonita é conhecida por suas águas límpidas, e não é difícil deixar de ouvir alguma história sobre alguém que veio de fora e ficou encantado. Apesar da poluição visível não ser assim tão impactante, há muito ainda a dizer sobre a saúde de um rio.

Em Barra Bonita, por anos, o esgoto foi despejado diretamente no rio, o que não só implica na estética, mas também na questão ambiental! Como falar sobre sustentabilidade ou se orgulhar de uma água aparentemente límpida, quando coisas irregulares acontecem? Como ficar feliz ao observar os painéis expostos no Memorial do Rio, no centro da cidade, que fazem comparativos das águas das regiões com a da Cidade Simpatia? Sabemos que falta muita coisa para melhorar. Até quando ainda haverá o status? Não deve durar muito tempo.

Saquinhos de lanche que não são descartados nos lixos durante os finais de semana, garrafas, copos, tudo desce para as margens. E muita coisa vem de fora também! Não há dificuldade em encontrar algo do tipo. Sem falar, é claro, da poluição ocasionada por barcos e lanchas.

Já a Mirante do Vale conta com o descaso. Seja na Prainha Maria do Carmo de Abreu Sodré, com obras abandonadas por anos, vandalismo ou perda de dinheiro público. Há algum resquício de investimento, quase que inaudível, em um local que tem grande potencial para ser reconhecido como ponto turístico regional. Por que não fazer jus ao título de Estância Turística?

É claro que há empenho de muitos cidadãos que cobram a limpeza, a inovação, que fazem campanhas, instituições que acompanham o nível de oxigenação do rio. Isso sim é motivo para orgulho. Infelizmente, as consequências serão e estão sentidas com o tempo. É necessário agir, é preciso que cada um faça a sua parte. Lugar de lixo é no lixo, consumir menos plástico, pensar na biodiversidade que sofre ameaças, cobrar politicas para que o meio ambiente seja também uma prioridade- sem ele, não há vida na Terra. Uma hora a conta chega.