Adiar não é Desistir

Por Alex Maktub 21/08/2021 - 07:50 hs


Ele relutara a caminhar por percursos estranhos. Aprendia a contar um, dois, três, e na verdade quisera mesmo o alfabeto. Quando soube o significado do alfa e do ômega, encantou-se de fato com as palavras que já não pertenciam a ele. Entre o princípio e o fim, havia uma metade intercalada por intervalos múltiplos e sonoros, e por isso, eram eternos.


Não havia mais o que fazer. Era caminho sem volta. E embora tivesse a certeza plena de ausentar-se quando a situação fora irreversível, seus medos e temores ainda o assombravam. Mas se tem uma coisa que aprendera de fato na vida, era ter a percepção de não desistir.


E assim, aconteceu. Inventou um carrinho de papel só para confrontar a professora que insistira em fazê-lo criar um barquinho. Sua vontade própria fora viva, e falava por ele. Não queria barquinhos nem navios, queria um carrinho e assim aconteceria. Nas aulas de educação física, o prazer que todos os seus amiguinhos tinham em tentar fazer o gol dava-lhe ânsia. Naquele contexto, quisera evitar a emoção máxima do esporte mais popular do Brasil. Percorrendo o caminho contrário da maioria, tornou-se goleiro, pois a sua emoção fora avessa. Lado reverso.


Um belo dia a atividade escolar era a seguinte: todos os estudantes deveriam pegar seus barquinhos de papel e contanto com a sorte do vento, fazê-los atravessar até o lado contrário do lago. De longe, o atento menino percebia que na condição em que estivera, seria furada colocar seu carrinho n’água. Os curiosos de sua contrariedade, observavam com ansiedade qual sua atitude diante daquela peleja. Foi quando a professora gentilmente se aproximou que ele respirou fundo. Quando indagado pelos alunos qual seria sua ação, respondeu: “Adiar não é desistir”.