Pela primeira vez não soubera o que escrever

Por Alex Maktub 16/10/2021 - 10:05 hs

Então desenhei. Foi quando imaginei o pote de tinta acabando que, ao passar do pincel na tela amarelada: a imagem fora ficando sem sentido. Assim, as lembranças do passado estavam se esvanecendo como a chama de uma vela à ventania. E assim sem saber o que escrevera, o destino fora o ato inoportuno de transmitir à tela meras imagens: Um menino perdido na floresta, sem rumo, parecia ignorar que estivera em perigo. Na verdade, o perigo fora sobreviver. No fundo soubera que seu bravo ato de expirar no mundo, fora fruto da sua revolta contra o sistema.


Madrugada à dentro, como ato corajoso perseguira o rumo que sua vida ousou desafiar. Passara pelas grandes árvores centenárias que o vislumbrava como não pertencente ao território perigoso no qual habitava. Quem seria ele? Que mundo quisera viver?

Não sei. Descobri há pouco que não era parte de mim. Foi no misturar das cores que o seu destino se desenhou. Teria um final precoce. Foi mais forte que mim. Não tive escolha. Desenho porque quero manifestar o que já não fora possível na escrita. Numa fração de segundos, minha falhada memória resolveu praticar resquícios de bondade: e fez-me lembrar. Não desenhara um menino comum. Tentara retratar a passagem inocente de uma criança que sem saber, me induziria à sobrevivência pelo simples fato de praticar sua ingenuidade.


Um impulso e ele resolveu correr. Corria por entre a mata. E quase sem fôlego, buscava à flor da imortalidade. Estava nublado e já exausto soubera que com a chuva pouco poderia fazer. Já não se importara com as mesclas de pretéritos impostas por algum gramático da mata. Sua exaustão o fizera adormecer. Foi no cair da tempestade de verão, que despertei e meus olhos pelos dedos imortais vislumbraram pasmos o que estava à minha frente: tela azul.