Atleta bauruense completa desafio no Rio Tietê

Prova teve início em Barra Bonita, no último domingo (16)

Por Heloísa Dorico 22/05/2021 - 10:48 hs
Foto: Arquivo pessoal
Atleta bauruense completa desafio no Rio Tietê
Momento da hidratação do atleta

O último domingo (16) foi marcado pela prova “Desafio do Rio Tietê 35 Km”, que consiste em um trajeto onde nadadores de ultramaratonas completam 35 quilômetros no Rio Tietê.  Na ocasião, o atleta bauruense Alexandre Landis foi o primeiro nadador a completador o desafio, totalizando oito horas e cinco minutos de nado. A prova teve início na Marinha de Barra Bonita, e seguiu até a cidade de Pederneiras.

Segundo o atleta Alexandre Landis, nadador há 34 anos, seus treinos semanais totalizavam até 50 quilômetros. “Eu já vinha há oito meses me preparando para o desafio, chegando a nadar semanalmente até 50 quilômetros. Devido a pandemia, não pude participar de uma prova que ia ocorrer no Paraná, pois foi cancelada. Mas logo depois disso, a organização do Swim 360 entrou em contato comigo para fecharmos uma data”, comentou.

Ele conta que já participou de provas do tipo. “Há um desafio bem clássico chamado 14 Bis, que é um trajeto saindo de Bertioga e indo em direção ao Guarujá, e totaliza vinte e quatro quilômetros. Participei duas vezes desse, além é claro dos meus treinos que chegavam a durar doze horas. Tenho experiência em águas abertas há nove anos, tanto rios, lagos e mares”, informou.

O atleta já havia participado da prova-teste que ocorreu em dezembro de 2020, que consistia no mesmo desafio. “Como eu já havia participado, conhecia um pouco do percurso e tinha noção de que uma das últimas partes da prova seria a mais complicada”, enfatizou.

Segundo ele, o cansaço físico precisa ser superado pelo controle mental. “No início, a corrente de água ajuda um pouco. Entre quatro e seis horas já bate o cansaço, mas depois desse tempo o corpo não responde muito bem. Fiz oito horas de prova, tive que trabalhar muito a parte mental, principalmente porque naquela localização a correnteza do rio diminui e fica mais aberto. O corpo vai ao limite, mas tive o apoio de todos que estiveram ali e isso foi essencial para que eu chegasse bem”.

(Da esquerda para direita: Thiago Rebollo, Alan Viana, Glauco Rangel, Alexandre Landis, Marcos Fracaro)

No entanto, ele conta que não haveria problemas se o desafio demandasse um tempo maior. “Não podemos controlar a natureza, nunca se sabe o que está por vir. Mentalmente, estava preparado para uma prova de doze horas se fosse necessário, mas havia vento e acabou levando menos tempo. Tive câimbras durante a prova e diminuía o ritmo, mas não parava. Aliás, parar não era uma opção”, contou o atleta.

Alexandre comenta que nada desde os dois anos de idade. “Tudo começou por indicação médica e nunca mais parei, hoje tenho 36. Em piscina mesmo, fiquei até os 16 anos. Quando completei minha primeira prova em águas abertas, com três quilômetros de trajeto na cidade de Ubatuba, me encantei com as maratonas aquáticas. Ali, conquistei o segundo lugar. Depois disso fui desenvolvendo técnicas e treinamentos específicos para aperfeiçoar”, lembrou.

Alexandre e sua esposa Tamiris  

ORGANIZAÇÃO

Segundo Alan Viana, um dos organizadores da Swim 360, a intenção inicial era que o evento se tornasse uma competição. “Fizemos ano passado um teste e reunimos vinte nadadores. Porém, devido à grande dificuldade, achamos inviável deixar como uma competição, e escolhemos a modalidade desafio. Temos uma procura muito grande de atletas com interesse em participar. Os interessados podem agendar uma data específica e realizar a travessia solo ou com revezamento, podendo ter até quatro pessoas completando o percurso”, explicou.

No dia do evento, as condições externas do ambiente contribuíram para a realização da prova. “O Alexandre foi a primeira pessoa a completar o nosso desafio, e foi com muito sucesso. A água estava cristalina, e havia pouco vento. Como a temperatura da água estava por volta dos 22 graus, que é uma água considerada gelada para o corpo humano, ele optou por usar uma roupa Neoprene, que tem o objetivo de amenizar o frio”, explicou Alan.

Alan enfatiza que tem o objetivo de trazer uma prova menor para que o público barra-bonitense possa ver de perto o que ocorre. “Nós temos essa ideia, e esperamos que aconteça no final do ano. Se for em parâmetros menores, teremos condições para que a população acompanhe da orla de Barra Bonita. Muitos brasileiros têm curiosidade de nadar no Rio Tietê, quando falamos que é limpo, nem acreditam”, completou.