Barra Bonita e Igaraçu do Tietê abrem inscrições para projetos culturais
Editais da Política Nacional Aldir Blanc oferecem recursos para artistas locais; prazos terminam em 12 de junho
Lei de fomento à cultura faz homenagem a brasileiro que morreu de Covid-19 em 2020 (Reprodução/Internet)
As Prefeituras de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê iniciaram o período de inscrições para os editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de 2026. As iniciativas, financiadas com recursos do Governo Federal, visam selecionar e fomentar projetos artísticos em diversas linguagens nas duas cidades.
Em Igaraçu do Tietê, o edital disponibiliza um total de R$ 140 mil, que serão distribuídos entre 22 projetos selecionados. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma do Ministério da Cultura até as 23h59 do dia 12 de junho. Podem participar pessoas físicas, MEIs, pessoas jurídicas e coletivos sem CNPJ que comprovem atuação no município há pelo menos seis meses. O regulamento prevê ainda cotas para pessoas negras, indígenas e com deficiência, além de exigir medidas de acessibilidade em todas as propostas.
Já em Barra Bonita, a Secretaria Municipal de Cultura selecionará 29 projetos culturais. O prazo para o envio das propostas também se encerra às 23h59 do dia 12 de junho. De acordo com as normas publicadas no Diário Oficial, os proponentes podem inscrever um projeto por categoria, com as faixas de valores organizadas para contemplar diferentes portes de produção. O edital completo está disponível no site oficial do município.
Em ambos os municípios, os projetos aprovados deverão ser executados até o dia 15 de dezembro de 2026. Os editais completos de cada cidade estão disponíveis nos sites oficiais da Prefeitura de Barra e de Igaraçu, na seção Diário Oficial.
Quem é Aldir Blanc?
Psiquiatra de formação, mas cronista por destino, Aldir Blanc (1946-2020) consolidou-se como um dos pilares da música popular brasileira ao transformar o subúrbio carioca em território literário. Sua trajetória é indissociável da parceria com João Bosco, iniciada nos anos 1970, com quem lapidou um cancioneiro que equilibrava, com precisão rara, a sofisticação harmônica e o linguajar das mesas de bar. De sua pena saíram versos que deram voz a personagens marginalizados, malandros e à melancolia do cotidiano, sempre sob uma ótica que alternava o lirismo contundente e a ironia ácida.
A dimensão política de Blanc atingiu o ápice com "O Bêbado e a Equilibrista" (1979). Na voz de Elis Regina, a composição converteu-se em um hino da luta pela redemocratização e pelo retorno dos exilados, simbolizando o desejo de liberdade de uma nação sob a ditadura militar. Morto em maio de 2020 por complicações da Covid-19, o letrista emprestou seu nome à lei federal de auxílio emergencial ao setor cultural, o mais atingido pela paralisia da pandemia. A legislação não apenas socorreu artistas, mas institucionalizou o nome de Blanc como sinônimo de resiliência e proteção ao patrimônio imaterial do país.












