Câmara rejeita abertura de procedimento para cassação de Luiz Fregolente
Maioria dos parlamentares decidiu pelo arquivamento do pedido feito pelo PSOL
A Câmara Municipal de Barra Bonita rejeitou por sete votos, durante a sessão realizada na noite de segunda-feira (25), representação apresentada pelo diretório municipal do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Barra Bonita, solicitando a abertura de procedimento interno visando a cassação do mandato do vereador Luiz Fregolente.
Assinado pela presidente Maria de Lourdes Mantovani Pavan, o documento foi pautado em uma fala do representado na sessão do dia 27 de abril, quando, durante as explicações pessoais, Fregolente citou que a colega teria sido o pivô da separação do ex-vereador Jair José dos Santos.
Antes do início da leitura, o presidente Jairo Meschiato explicou o procedimento, informando que, caso a representação fosse aceita, seria instaurada uma comissão interna para apurar a conduta de Fregolente, que poderia ou não ter seu mandato cassado.
O documento citou que o ato que culminou no pedido que estava sendo apreciado continha ilações acerca da vida amorosa de Poliana, com intuito de macular sua imagem como mulher, caracterizando machismo.
A representação citou ainda se tratar de um caso de violência política e de gênero. A subscritora do pedido acompanhou a sessão no Plenário, com dezenas de pessoas que tomaram as dependências da Câmara com cartazes pedindo a cassação do vereador representado.
Aberta a palavra, Luiz Fregolente foi o primeiro a usar a tribuna, onde apresentou sua defesa. Disse considerar que quem assume cargo público abre mão da privacidade, estando sujeito às mais variadas críticas.
Falou ainda que, quanto ao fato que culminou no pedido formulado pelo PSOL, apenas contra-atacou investida anterior de Poliana. “Antes da minha fala, a senhora fez comentários desnecessários, mesmo que indiretamente foram contra minha pessoa”, disse, citando ainda outras ocasiões que, segundo ele, a parlamentar o teria atacado verbalmente.
Fregolente salientou que não foi contra as mulheres, e que o desgaste ocorrido foi entre ele e Poliana Quirino, ambos ocupantes do cargo de vereador. Ele finalizou pedido aos colegas voto contrário à representação.
O segundo a usar a palavra foi Claudecir Paschoal, revelando ter ouvido muitas críticas sobre o andamento das sessões por parte da população, e por ser contra qualquer tipo de violência, seria favorável à representação.
Atrito começou em 2025, diz Poliana
A vereadora Poliana Quirino disse durante a apreciação do pedido de procedimento interno que o atrito entre ela e Fregolente começaram na discussão do orçamento, ainda em 2025, quando os vereadores da Oposição se posicionaram contra os números por cortes na saúde.
Ele considera também que foi discriminada na Câmara por ser mulher, uma vez que documentos apresentados por ela sempre são rebatidos, e que o mesmo não acontece com vereadores homens.
A parlamentar considera que é discriminada por ser assumidamente de esquerda e finalizou fazendo críticas à Câmara. “Não se pode bater palmas nesta Casa, mas pode-se xingar mulher de destruidora de casamento e vagabunda”, completou.
Na sequência, Val Girioli usou a palavra e citou rusgas que teve com Poliana no passado. Disse ainda que nunca ofendeu qualquer mulher dentro da Câmara, expondo ser contrário à cassação de Fregolente.
Patrícia Barreto disse reconhecer que a votação de matéria que pode culminar na perda de mandato de um colega não é um momento de alegria. “Mas não é algo pessoal, afinidade ou partidarismo. Trata-se exclusivamente da defesa do decoro dentro desta Casa”, explicou, declarando seu voto favorável.
Última a usar a palavra, Cássia Bispo disse que o regimento interno da Câmara é falho, por não prever punições intermediárias, como advertência ou mesmo suspensão em casos semelhantes, e somente ato extremo, como a cassação.
Ela disse que, como mulher, se sentiu triste com as falas atribuídas ao vereador Luiz Fregolente no caso em questão. “Não gostei da fala e do posicionamento, mas a cassação é medida excepcional e precisa ser reservada para situações extremas, em que a permanência do parlamentar se torne insustentável para a instituição democrática.”
Colocada em votação, a representação ofertada pelo PSOL foi rejeitada pelos vereadores Val Girioli, Rodrigo Maldonado, Marquinhos Moraes, Carira, Adriano Testa, Cássia Bispo e Alexandre Batista.
Foram favoráveis ao pedido Claudecir Paschoal, Patrícia Barreto, Poliana Quirino e Kiko Guimarães. Luiz Fregolente, por ser parte interessada, não votou. A representação foi arquivada sob protesto do público presente.














