Datas e Sensações
Saudade é como o veneno da alma. O tempo, inevitavelmente passa e... E? E depois? Cá estou nesta tarde chuvosa e extremamente quente, caçando interiormente lembranças para justificar a inércia que neste instante habita em mim. Ainda que a referida data previamente outonal tenha me presenteado com a quebra de uma rotina extrema, recorro às sensações para escrever-lhe esta crônica.
Ando recluso acerca de tudo, ou quase tudo que se relacione com a escrita. Ultimamente, um novo fascínio tomou-me conta: as pedras que lindamente são esculpidas pela natureza. Geodos, ágatas, cristal de quartzo, e inúmeros vídeos me são recomendados por um algoritmo que persiste desafiar minha vontade em dar valor a likes, visualizações e comentários.
Mas, não tem problema. Voltando às pedras. Há na natureza a sabedoria de desafiar e entender a passagem do tempo. Como o rio que flui sempre para o futuro, sem se importar com o que passou. A prova extrema de que tudo passa. Ao mesmo tempo, em que a própria passagem do tempo, pelas pedras, nos indica que a persistência da memória, tal como pintou Dalí, materializa aquilo que até mesmo o pensamento não é capaz de filtrar: momentos cristalizados de uma vida inteira.











