Domingo, seis horas da manhã. Ainda sonolento pelo despertar tardio (acordo normalmente uma hora antes, todos os dias, exceto neste dia que vos relato), recebo no meu celular uma notificação avisando-me persistentemente sobre a falta de espaço na galeria de fotos. Recorro, com uma preguiça tardia, ao aparelho, que, sem dó nem piedade, agride minha retina com seu venenoso brilho artificial.
Acesso a galeria: incríveis “quinhentas” fotos. Paisagens, fotos para perfil, gatos, prints de matérias úteis, mais fotos de gatos, registros pedagógicos visando futuras postagens e mais, mais fotos de gatos! Sim, os felinos dominam. Eles têm sete vidas e outras tantas mais. “Que talento para a compaixão”!
Retorno ainda atordoado com a quantidade de informações em linguagens não verbais que carrego. Perdoe-me o termo. Ainda estou sob resquícios e reações dos exercícios gramaticais da semana anterior. Decido, com dor no coração superlotado, apagar algumas imagens. Percebo que boa parte delas está postada nas redes sociais. Descarto, pensando: se um dia as redes sociais deixarem de existir, todas as fotos e postagens serão perdidas... Um pensamento que, por poucos instantes, fez-me refletir sobre a necessidade de registrar, ou ainda, como muitos escrevem, de “colecionar momentos”, memórias, instantes. Em contrapartida, repensei: aquilo que foi vivenciado não pode ser apagado. Sendo assim, por sua vez, na finitude do tempo, parafraseando certo poeta, “viver é melhor do que postar”.





