O custo fica na sociedade
A facilidade de acesso a determinados setores de grandes empresas facilita a ação dos criminosos, que cooptam muitas vezes funcionários para participar da ação
Não é a primeira vez, e nem caso tão raro, que roubo e furto em grandes empresas são noticiados pela imprensa. Recentemente, no começo do ano, uma quadrilha foi presa sob acusação de desviar material como sucata e placas de MDF da fabricante de ônibus Caio, na unidade de Barra Bonita. O modus operandi dos bandidos era por meio de emissão e posterior cancelamento de notas fiscais, procedimento fraudulento que possibilitava desviar cargas inteiras.
Um fiscal da empresa confessou o crime, revelando ter lucrado cerca de R$ 65 mil com a venda dos materiais. O prejuízo da empresa foi maior, mas não divulgado. Nesta semana, um novo esquema foi desmantelado pela Polícia Civil na região. Desta vez, o alvo era a Raízen de Barra Bonita. Bandidos da cidade e de Igaraçu do Tietê foram presos, além de serem apreendidos itens como relógios, celulares, carros, arma, dinheiro e equipamentos agrícolas.
A facilidade de acesso a determinados setores de grandes empresas facilita a ação dos criminosos, que cooptam muitas vezes funcionários para participar da ação. A partir do aceite, passa a ser tão culpado quanto seu "contratante" e não tem mais volta. Por ser o elo mais frágil, esse indivíduo acaba caindo antes ou, até mesmo, sozinho. No caso registrado, somente um foi preso, por receptação.
E como isso prejudica a sociedade? O impacto desses desvios ultrapassa os muros das fábricas e usinas, atingindo a engrenagem econômica e o tecido social da região. Quando crimes como os registrados na Caio e na Raízen se tornam recorrentes, o prejuízo deixa de ser apenas contábil para se tornar coletivo. No sistema de livre mercado, as perdas decorrentes de fraudes e furtos são inevitavelmente precificadas. Para compensar o desequilíbrio financeiro, as empresas repassam custos aos produtos e serviços, chegando ao consumidor final.
Por fim, o maior prejuízo social é o moral. A lógica do ganho fácil, baseada na hipótese já refutada de que tirar de grandes empresas não faz falta, corrói o valor do trabalho honesto e alimenta a criminalidade que envolve desde a falsificação de documentos até o mercado ilegal. Ao que parece, as autoridades estão empenhadas em combater esse tipo de crime, e as empresas têm colaborado para o sucesso dessas ações. Fica o alerta para quem ainda não foi pego: "a casa vai cair".












