"Estamos com as portas fechadas, mas com a responsabilidade que sempre tivemos"
Diretor Administrativo do Hospital São José espera que situação com Poder Público possa ser resolvida em breve
O diretor administrativo do Hospital e Maternidade São José, José Luis Minutti falou à imprensa na manhã desta quarta-feira (1/7) e confirmou o fechamento do pronto-socorro. A medida foi tomada depois do encerramento do contrato de prestação de serviços com a Prefeitura de Barra Bonita, no dia 30 de junho, após as partes não alcançarem um consenso financeiro para a renovação dos repasses de pronto-atendimento e disponibilidade assistencial.
Ainda em entrevista ao programa Bom Dia em Notícias, da rádio 89 FM, Minutti explicou que o hospital já vinha operando com um déficit mensal estrutural de aproximadamente R$ 540.000,00. Durante as rodadas de negociação nas últimas semanas, a Prefeitura apresentou uma proposta de redução de 4,5% nos valores destinados ao pronto-socorro e de 1,5% no contrato de disponibilidade médica. Segundo a diretoria, o hospital pleiteava um reajuste para cima para cobrir a defasagem dos custos operacionais e rechaçou a diminuição da receita.
Nós precisávamos de um aumento e não de uma diminuição. Diante do déficit mensal do hospital, que é de aproximadamente R$ 540 mil por mês, não seria possível continuarmos da forma que está. O cobertor não cobria mais, ficou muito curto.
Apesar do fechamento da porta principal para consultas de rotina e eletivas, o hospital mantém o protocolo de responsabilidade com a assistência à saúde. Uma equipe com médico plantonista realiza o acolhimento e a triagem técnica de todos os cidadãos que chegam ao local. Os casos identificados como urgência, emergência, traumas ou trazidos por ambulâncias recebem atendimento imediato na estrutura. Já as demandas que não apresentam risco iminente são reorientadas e encaminhadas para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos municípios da região. "O contrato deveria ser estritamente para urgência e emergência, mas virou uma tradição as pessoas buscarem o hospital. O paciente vai à UBS, enfrenta a demora para agendar e conseguir exames, e acaba vindo para cá. Ficou tudo sob a responsabilidade do Hospital São José, e o valor repassado não é suficiente."
UPA de Igaraçu
Minutti lembrou que o cenário financeiro do hospital agravou-se também devido à perda de receitas regionais nos últimos anos. Há cerca de dois anos, o município vizinho de Igaraçu do Tietê retirou um repasse anual estimado em R$ 340.000,00 que mantinha no pronto-socorro. Além disso, a prefeitura de Barra Bonita suspendeu uma subvenção municipal extra de R$ 200.000,00 que ajudava a cobrir as despesas mais urgentes do complexo de saúde. O diretor da entidade alertou que a tabela de repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) está sem reajustes estruturais significativos, o que compromete a sobrevivência de hospitais filantrópicos de pequeno e médio porte. A diretoria aguarda novas rodadas de diálogo com o Executivo para tentar alinhar a situação contratual.
Os hospitais de pequeno e médio porte vivem num arrasto. Falando de SUS, hoje recebemos por uma tabela defasada. No ano passado, em 2025, fecharam 150 hospitais filantrópicos no país. Se não sentarmos e negociarmos com bom senso um ajuste, infelizmente é uma água que não vamos conseguir beber mais













