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O risco e o erro na Sapucaí

Atualizado em 24/02/2026 às 07:02, por Netto Dorico.

sambistas desfilam com fantasias de lata

Imagem: reprodução da transmissão

O Carnaval sempre foi palco de transgressão e crítica social, mas, em 2026, a linha entre a ironia e o choque visual causou uma das maiores discussões recentes na Marquês de Sapucaí. A Acadêmicos de Niterói, que tentava se firmar no Grupo de Acesso, virou o assunto principal das redes sociais e dos bastidores por um motivo alheio ao samba no pé: a polêmica alegoria “Família em Conserva”.
O carro, assinado pelo carnavalesco em sua estreia na escola, apostou em um realismo que causou estranheza. Dentro de grandes potes de vidro cenográficos, preenchidos por um líquido amarelado, figurantes representavam o núcleo familiar tradicional em cenas de estagnação. Segundo a agremiação, a ideia era criticar o apego a valores arcaicos e o isolamento social.

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No entanto, a execução visual — descrita por parte do público como “mórbida” ou “grotesca” — gerou reações imediatas. E a ousadia acabou pesando no momento mais rígido da festa: a apuração. Durante a leitura das notas, nesta quarta-feira de cinzas, ficou claro que a proposta da escola não foi bem aceita pelo júri técnico.

 

Nos cadernos de notas, jurados justificaram as punições apontando uma “concepção intelectualizada demais”, o que gerou dificuldade de leitura da mensagem para quem assistia



A agremiação perdeu pontos decisivos em Enredo e em Alegorias e Adereços. Nos cadernos de notas, jurados justificaram as punições apontando uma “concepção intelectualizada demais”, o que gerou dificuldade de leitura da mensagem para quem assistia. Além disso, o uso do líquido amarelado sob a iluminação da Sapucaí criou um efeito visual “sujo”, prejudicando a harmonia das cores do conjunto.
Para piorar, o gigantismo da peça cobrou um preço físico. Problemas na manobra da estrutura pesada em frente à segunda cabine de jurados causaram um “clarão” na pista. Esse erro técnico em Evolução, somado às notas baixas de estética, selou o rebaixamento da escola.
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O silêncio na quadra após o anúncio contrastava com o barulho causado pela “Família em Conserva” dias antes. A lição de 2026 reforça a dualidade da Sapucaí: o Carnaval até premia o risco, mas dificilmente perdoa o desconforto que rompe com a clareza ou com o espírito da celebração popular.